{"id":4120,"date":"2024-12-02T09:17:00","date_gmt":"2024-12-02T09:17:00","guid":{"rendered":"https:\/\/martinemussies.nl\/web\/?p=4120"},"modified":"2025-11-03T09:47:46","modified_gmt":"2025-11-03T09:47:46","slug":"untitled-iara-fanfiction","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/martinemussies.nl\/web\/untitled-iara-fanfiction\/","title":{"rendered":"Untitled Iara Fanfiction"},"content":{"rendered":"\n<p>O rio j\u00e1 n\u00e3o mais refletia a imagem celestial; tornou-se cinza. Fuma\u00e7a. As \u00e1guas, antes g\u00e9lidas, vivas, estavam c\u00e1lidas e os peixes sequer subiam \u00e0 superf\u00edcie. O som dos ventos, que h\u00e1 s\u00e9culos trazia unicamente o cantar dos p\u00e1ssaros em coros, n\u00e3o era nada al\u00e9m do rugido distante de maquin\u00e1rios e o inconsol\u00e1vel choro de \u00e1rvores milenares, que perdiam-se na gan\u00e2ncia de m\u00e3os sujas.<\/p>\n\n\n\n<p>E, ainda assim, nascera de novo uma mulher. Emergiu das \u00e1guas profundas e esquecidas da Amaz\u00f4nia, elas que tanto foram violadas. Iara abriu os olhos, despertou como se houvesse acordado de um sonho secular. Ouvira o chamado das \u00e1guas enfermas, dos troncos arrancados de suas ra\u00edzes. A luz que outrora fazia-se dourada e vivida, era agora m\u00f3rbida. Esquecida. Os cabelos longos e escuros, de maciez palp\u00e1vel, vinham cobertos de folhas mortas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDormiram os p\u00e1ssaros,\u201d murmurou, a voz suave, um afago, misturando-se \u00e0 correnteza. \u201cE dormiu o meu povo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Por s\u00e9culos, Iara conhecera os homens. Cantara para eles \u2014 ora com do\u00e7ura, ora com um amargor inevit\u00e1vel. Alguns prometeram-lhe amor eterno e, em passagens ef\u00eameras, os amou de volta. Amou-os tanto que permaneciam nas mem\u00f3rias, nos pensamentos, mesmo ap\u00f3s desaparecerem. Iara, que, diferente do amor prometido, viveria pela eternidade, amou e perdeu. Naturalmente, a complexidade do sentimento mostrava-se n\u00e3o distante dos ciclos da natureza \u2014 morreria e, ent\u00e3o, renasceria ainda mais forte. Era um pre\u00e7o que dolorosamente pagava pela condi\u00e7\u00e3o da vida eterna que, apesar das vantagens claras, naturalmente tamb\u00e9m do\u00eda.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, no entanto, o tempo a deixou s\u00f3. A eternidade amargava. N\u00e3o havia mais c\u00e2nticos, tampouco oferendas.<\/p>\n\n\n\n<p>No sil\u00eancio espesso das \u00e1guas, sentia a solid\u00e3o se misturar ao ar pesado. N\u00e3o foi a falta de amor; veio da aus\u00eancia do mundo que conhecia. As vozes das \u00e1rvores foram caladas, o frescor da mata se perdeu. A floresta, seu templo, era uma ferida aberta e pulsante, e Iara caminhava entre suas cicatrizes, ansiando cur\u00e1-las. Viu os troncos queimados, as aldeias devastadas. Ouvia o eco de vozes nativas caladas; sentia o cheiro podre e adocicado da terra em agonia.<\/p>\n\n\n\n<p>Quis tanto que despertasse a natureza. Que voltasse a gra\u00e7a de antes, e fez dessa vontade seu prop\u00f3sito. Enquanto seu canto ressoasse, seria ela a protetora daquelas terras; visitou outras aldeias, outros povos, conheceu mulheres, guerreiras sem armas. Lembrava-se de Jaci, de Iemanj\u00e1, de Nai\u00e1. Viu homens armados de serras e fogo, floresta \u00e0 dentro, rindo e violentando o sacro terreno, enquanto mo\u00e7as escondiam-se e cuidavam de crian\u00e7as e sementes. Essas mo\u00e7as \u2014 que eram humanas, fr\u00e1geis, extraordin\u00e1rias \u2014, no entanto, falavam de resist\u00eancia, de conserva\u00e7\u00e3o, de cura, e Iara reconheceu nelas o mesmo esp\u00edrito que antes vira nas deusas. A coragem de Jaci, que guiava o ciclo da noite; o \u00edmpeto de Iemanj\u00e1, que levava e trazia o que os mates julgavam digno.<\/p>\n\n\n\n<p>Iara as observava de longe. Viu-as de joelhos no barro, aos prantos ao ver a mata queimada, jurando que replantaria cada vegeta\u00e7\u00e3o perdida. As m\u00e3os humanas eram sujas, algumas, mas existiam aquelas que cuidavam, que resistiam. Tais mulheres, simples e fortes, tornaram-se um novo coro reverberado pela floresta. N\u00e3o precisavam de encantos, da imortalidade, Iara acreditava \u2014 ela, antes lenda temida nas margens, sereia que usava seu canto para arrastar homens para a morte, via-se inspirada por filhas da terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi ent\u00e3o que ela, novamente, ergueu seu canto. N\u00e3o mais uma arma; n\u00e3o mais o chamado dos homens. As ondas do rio vibraram, os p\u00e1ssaros cantavam por entre a ventania. Antigas companheiras ouviram, despertaram. Icamiabas, Iemanj\u00e1, Matinta-Pereira. Em uma noite, as estrelas brilharam mais alto e o mar refletiu a lua mais bonita. Juntas, numa alian\u00e7a invis\u00edvel, eram uma irmandade de deusas e mulheres que uniram-se contra o esquecimento. Contra as amarras que por tanto tempo as tentaram silenciar. Cada uma guardaria seu dom\u00ednio, seu objeto de harmonia, mas compartilhavam do mesmo prop\u00f3sito: silenciar o ru\u00eddo violento da gan\u00e2ncia que destru\u00eda o sagrado da terra.<\/p>\n\n\n\n<p>O tempo passou de modo diferente, para elas. As chuvas voltaram a cair com mais frequ\u00eancia, e a mata tentou se refazer, t\u00edmida, entre os ferimentos que lhe foram impostos. Iara caminhava entre as ra\u00edzes, os p\u00e9s descal\u00e7os tocando o barro \u00famido, e via brotar pequenas flores onde antes s\u00f3 havia cinzas. Cuidava das \u00e1guas, devolvendo-lhes o brilho; curava os peixes com o toque das m\u00e3os; e, quando algu\u00e9m se aproximava do rio com inten\u00e7\u00f5es m\u00e1s, sentia a f\u00faria subir-lhe pelos ossos, um poder antigo que lhe recordava que ainda era deusa, ainda era guardi\u00e3. Mas, em sua serenidade, preferia a justi\u00e7a \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o. Fazia com que os culpados se perdessem na floresta, levados por caminhos que n\u00e3o levavam a lugar algum \u2014 at\u00e9 que o medo os fizesse lembrar do respeito.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos dias mais silenciosos, Iara ouvia o som distante de vozes humanas. Firmes, guardi\u00e3s, como a dela. Uniam-se nas cidades, marchavam nas ruas, mas sempre em defesa do que vivia na mata. Denunciavam os que queimavam e saqueavam \u2014 estes que Iara via, nos desmatamentos e queimadas. E, ainda que n\u00e3o a vissem, a m\u00edtica sereia as acompanhava, soprando-lhes coragem mas sombras do medo. Uma nova gera\u00e7\u00e3o de encantos, de ativistas. Ribeirinhas, estudantes, mo\u00e7as comuns. E, \u00e0s vezes, quando o c\u00e9u se abria azul sobre as copas, Iara via mulheres levando seus arcos em m\u00e3os. Flechas, feitas de galhos ca\u00eddos e penas resgatadas, eram lan\u00e7adas ao matagal como lembrete para aqueles que ainda se deixavam levar pela sujeira da gan\u00e2ncia. Diziam, simbolicamente, que cada flecha que tocava o solo terminava em nova vida; Iara acreditava naquilo.<\/p>\n\n\n\n<p>O amor, aquele que por s\u00e9culos lhe trouxera dor e nostalgia, ganhava nova forma. N\u00e3o era mais a paix\u00e3o moment\u00e2nea pelos homens que cruzavam seu caminho, mas um amor vasto, coletivo, uma ternura pela vida em todas as suas express\u00f5es. Um acalento. Agora, mesmo que sua exist\u00eancia fosse eterna, j\u00e1 n\u00e3o lhe pesava tanto a solid\u00e3o \u2014 porque dividia seu tempo com as vozes que herdaram o mesmo fardo. Suas companheiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Numa manh\u00e3 em que o rio espelhou o c\u00e9u, Iara pegou-se sorrindo. O sol dourava-lhe a pele, e ela sentiu o calor atravessar-lhe o corpo, aquecendo algo antigo e adormecido. Talvez o mundo ainda pudesse ser salvo, pensou. Talvez a humanidade \u2014 parte dela \u2014, com todas as suas falhas, ainda carregasse a centelha da vida sagrada. Inspirou profundamente, deixou escapar um novo canto; sereno, bel\u00edssimo, que misturava-se aos murm\u00farios dos animais silvestres.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o mais um som atraente aos homens, para a perdi\u00e7\u00e3o de seus cora\u00e7\u00f5es. O som de uma guerreira. De uma guardi\u00e3. O som da luta em nome de seu lar.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"472\" height=\"701\" src=\"https:\/\/martinemussies.nl\/web\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/image.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4123\" srcset=\"https:\/\/martinemussies.nl\/web\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/image.png 472w, https:\/\/martinemussies.nl\/web\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/image-202x300.png 202w\" sizes=\"(max-width: 472px) 100vw, 472px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O rio j\u00e1 n\u00e3o mais refletia a imagem celestial; tornou-se cinza. Fuma\u00e7a. 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